quarta-feira, 20 de abril de 2011

Gestão do Olhômetro

A grande maioria das nossas prefeituras ainda administram seus municípios com base no alcance do globo ocular, ou seja, no olhômetro. As ações do governo local restringem-se aqueles problemas que estão visíveis a olho nu e soluciona-os no chutômetro, entretanto, os problemas mais graves e mais complexos que não podem ser visualizados pelo olhômetro, continuam crescendo e engolindo politicamente os seus gestores.
Administrar um município neste terceiro milênio, com base no olhômetro, no achômetro e no chutômetro é desfiar a lógica da ciência e da tecnologia, é jogar o dinheiro do contribuinte pelo ralo da comodidade.
GESTÃO EFICAZ
Uma gestão eficaz e transformadora, só é possível com a adoção dos princípios básicos da Gestão Moderna, que compreende as ferramentas de Planejamento, de Organização, de Direção e de Controle.  Os reais problemas do município só podem ser conhecidos através de um Diagnóstico competente e as soluções definitivas só podem ser conseguidas através de Programas de Políticas Públicas, bem planejados e estruturados.
Disponibilizamos aos municípios um Diagnóstico Sócio-Econômico elaborado a partir de estatísticas oficiais, apontando de forma clara e objetiva, os problemas reais do município. Além dos dados estatísticos, incluímos inúmeros comentários objetivando interpretar as informações e, principalmente, orientar ações da administração municipal na busca de soluções que gerem o desenvolvimento e o bem-estar da sua comunidade.
Os números são apresentados de forma absoluta e relativa. Para cada dado, são apresentadas as médias municiais do Estado, da Região e do Brasil, assim como o ranking do município no Estado e no País.
O DIAGNÓSTICO
Um dado estatístico fora de um contexto  não tem grande valor referencial. Nosso Diagnóstico compara os dados do seu Município com os demais municípios do Estado da Região e do Brasil, obedecendo aos seguintes parâmetros:
Valores absolutos
Valor relativo decorrente do processamento dos valores absolutos
Média municipal do Estado
Média municipal da Região
Média municipal do Brasil
Posição do município dentre os municípios do Estado
Posição do município dentre os municípios do País
Com estas comparações a administração municipal ganha um referencial claro do valor do dado apresentado no seu universo.



 TRATORES 2010
Produto
Unid
Mun
Média Municipal
Ranking do Município
(1)
UF
Região
Brasil
UF
Brasil
Estabelecimentos Agropecuários
Est
2.983
1.836
1.377
935
-
-

Estabelecimentos Agropecuários com Tratores
Est
62
43
23
93
089
2196

Percentual de Estabelecimentos com Trator
%
2,08
2,32
1,68
9,98
168
3971
1
Tratores
Trat
94
63
33
142
075
2172

Média de Tratores por estabelecimento
%
0,03
0,03
0,02
0,61
152
3838
1
Fonte: IBGE
(1) Comentário



Os dados que necessitam ação governamental mais urgente, aparecem com o fundo em vermelho.
Além dos dados estatísticos, incluímos inúmeros comentários  objetivando interpretar as informações e, principalmente, orientar ações da administração municipal na busca de soluções que gerem o desenvolvimento e bem estar da sua comunidade.
 APLICAÇÃO
Prefeituras Municipais
Para conhecimento da realidade do Município.
Para definição precisa de metas do Plano de Governo.
Para instruir a elaboração do Plano Plurianual, da LDO e dos Orçamentos anuais.
Para a correta formatação de Políticas Públicas.
Justificar Convênios.
Câmaras Municipais
Para que a Câmara possa contribuir com o executivo na solução dos problemas reais do município.
Para instruir a adequação da legislação à realidade local.
Oferecer subsídios ao Vereador na discussão objetiva do Orçamento, LDO e PPA.
Imprensa
Instruir a abordagem de problemas mais relevantes que apontar buracos nas ruas do município.
Dar conhecimento à comunidade da real dimensão dos seus problemas.
Municiar o acompanhamento das ações do governo local.
Instruir a concepção de pautas abrangentes.
Ong's
Instruir o estabelecimento de metas objetivas.
Justificar convênios.
Partidos Políticos
Instruir a elaboração de programas e manifestos.
Instruir o discurso político dos seus candidatos.

Para mais detalhes ligue 75 9962-5395

O Segredo de Luiza

Por EDNILSON BARBOSA DE OLIVEIRA 


Fernando Dolabela é mineiro e pai de três filhos, pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV - São Paulo) e Mestre em administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É também consultor do CNPq, empresário e diretor da FUMSOFT. Autor do livro “OFICINA DO EMPREENDEDOR” e “O SEGREDO DE LUÍSA” entre outras tantas obras escritas e publicadas nos mais importantes congressos da área. É criador do software de plano de negócios “MAKEMONEY”. 


Com a obra O SEGREDO DE LUÍSA, Dolabela tem como objetivo contribuir para a escassa literatura existente sobre o assunto empreendedorismo, e também disseminar a idéia deste, orientando pessoas que buscam abrir seu próprio negócio. Dividida em cinco partes a obra apresenta desde a motivação e a descrição do perfil empreendedor de Luisa, até a consolidação do seu empreendimento. 


Apresentando o estudo de mercado que ela faz, seu projeto de organização da empresa, passando por uma análise financeira de viabilidade do negócio. Moradora de Ponte Nova (MG), Luísa, que desde jovem trabalhava com Fernanda, sua tia-madrinha, e por quem tinha profunda admiração. Era estudante de Odontologia e namorada de Delcídio, este que por sua vez não demonstrava grande interesse nos estudos de Luísa, que se davam em Belo Horizonte. 


Segundo Bernhoeft (1997, p. 23), “Existem pessoas que apresentam características empreendedoras desde muito cedo”. A estória de Luísa evidencia esta realidade acima descrita. Luísa, espelhando-se nos negócios de Fernanda, passa a vislumbrar um novo futuro para sua vida: Abrir seu próprio negócio – Goiabadas Maria Amália Ltda (GMA). Fernanda, no início não encoraja Luísa, porém passa a perceber que ela tem dentro de si um espírito empreendedor e começa a ajudá-la. Através de uma indicação de uma amiga, Luísa conhece o professor Pedro, do curso de computação, que passa a orientá-la. Após as primeiras conversas que tem com Pedro, Luísa sente-se mais confusa sobre o que realmente pretendia fazer, pois Pedro não respondeu às suas perguntas, ao contrário, levantou vários questionamentos sobre a empresa que Luísa queria iniciar. Ele aconselhou-a que fizesse um plano de negócios. Sugeriu também que conversasse com pessoas de sua família, e falasse com pessoas experientes, que já possuíssem algum tipo de negócio. Sugeriu um “padrinho”, que se possível, fosse um empresário para que a ajudasse a montar o negócio. Luísa, atendendo os conselhos de Pedro, procura o seu André, proprietário de uma fábrica de doces – Biscoitos Santa Luzia. Ela, preocupada em sensibilizá-lo quanto ao seu projeto, sente-se pressionada com perguntas que ele faz, quanto ao comprometimento com o projeto. Ela diz a ele que está deixando uma carreira de dentista, inclusive com emprego garantido para dedicar-se ao seu empreendimento. Seu André, convencido pelo argumento de Luísa, demonstra interesse em ajudá-la, e eles elaboram um plano de trabalho, inclusive com cronograma e prazo. Luísa começa então a fazer seu plano de negócios, porém, lembrando das palavras de seu André, que disse, que o estudo de viabilidade do negócio poderia sinalizar, inclusive, que o negócio poderia não ser interessante, não ser viável financeiramente. Porém, ela precisava começar, caso contrário, nunca saberia. Já, com o plano elaborado, Luísa se dá conta de que somente o produto com seu sabor agradável, não seriam garantia de sucesso. Era necessário identificar também um direcionamento para o seu negócio. Qual seria o nicho de mercado que exploraria. Seu produto deveria ter algo diferente, algo que o fizesse único. Quais seriam os pontos de vendas, o design, o preço. Pois todos esses detalhes poderiam influenciar o consumidor. “A estratégia de Marketing – preço, design de produto, serviço, embalagens e assim por diante. O marketing de alvo pode ser eficaz tanto em mercados domésticos quanto internacionais”. Longenecker (1998, p. 61). 


Luísa então, passa a desenvolver um Plano de Marketing; ela irá tentar identificar o que o cliente espera do produto. A partir disso, irá desenvolver um produto que atenda ao cliente. Finalmente Luísa tinha conseguido responder suas indagações e também concluir a análise financeira para o empreendimento. Porém os valores para o investimento inicial, aos quais ela chegou, a surpreenderam – R$ 40.847,08. Refez todos os cálculos, porém não conseguiu fazer cortes para reduzir o valor de investimento sem comprometer a qualidade. Sem recursos, Luísa apela para o banco no qual seu pai tinha conta. Para viabilizar um financiamento ela teria que dar uma garantia real, como um imóvel, por exemplo. Como não dispunha de tal bem, Luísa corre para seu padrinho, que por sua vez orienta Luísa a fazer uma pareceria com outra empresa do mesmo seguimento que faria o investimento do capital. Ela não concorda em dividir seu sonho com ninguém. Porém sua razão diz que talvez essa seja sua última alternativa. André indica três empresários para que ela fosse conversar. Um dos possíveis parceiros, o primeiro que ela procurou, o Dr. Celso, era empresário de vários ramos de atividade, entre eles o de laticínio. Ele propôs a ela a compra do plano de negócios e da idéia da empresa. Disse que ela ainda era muito nova e que uma sociedade não seria o melhor, pois não tinha experiência. Em seu íntimo Luísa indignou-se, porém para não parecer indelicada disse a ele que iria pensar no assunto. Luísa tenta então um segundo possível parceiro: O seu Acácio, proprietário da Indústria de Alimentos Santa Luzia – IASAL. Um dos que havia participado de sua pesquisa de mercado, e futuro concorrente. Este propôs a Luísa uma sociedade, onde ela teria a participação de 10% na GMA. A administração seria por conta de Luísa, que é claro, estaria sob a supervisão do seu Acácio. Novamente ela se decepciona. Não queria ter a participação em somente 10% de seu sonho. Já sem esperança, e vendo na proposta do seu Acácio a melhor alternativa para dar início a realização de seu projeto, Luísa recebe um telefonema de Romeu Neto – A terceira opção de sociedade que seu padrinho havia lhe indicado, e que não pudera atender Luísa por motivos de viagem. Proprietário de uma indústria de compotas – Doceminas. Atualmente com a capacidade de produção ociosa, Romeu propõe a ela que utilize suas instalações para produzir a goiabada, em troca ele receberia um valor unitário pelo produzido. Ou então, propôs ele: Fazer um contrato de risco, onde ele bancaria a produção e teria a participação em 10% sobre o faturamento bruto. Luísa começa a ver então a possibilidade de realização de seu sonho se concretizando. No mesmo instante ela segue para Contagem (MG), para conhecer a fábrica, e fecha um contrato. Luísa consegue materializar seu projeto. 


A Goiabadas Maria Amália Ltda torna-se uma realidade. Seus produtos são inclusive exportados. Estabelece parcerias nos Estados Unidos, Argentina e na Espanha. Luísa é eleita a Empreendedora Global do ano, do Estado de Minas. A GMA atinge 8 milhões de dólares em exportações. A obra “O Segredo de Luísa”, é de fundamental importância, pois apresenta o desenvolvimento de uma idéia: Sua concepção, seu planejamento e sua execução. A estória de Luísa é a história de tantos outros empreendedores, que conseguiram realizar seus sonhos. A obra contribui para nortear os querem arriscar no sonho do próprio negócio, e também para o enriquecimento da literatura sobre o tema empreendedorismo, tão escassa no momento. A linguagem do texto é de fácil entendimento, com conteúdo cheio de detalhes, e que apresenta boa coerência em sua estruturação. O tema é relevante, pois sugere o aprendizado ou formação do acadêmico como empreendedor, e não empregado. Este livro é uma boa sugestão para leitura, tanto para acadêmicos como para pessoas de outras áreas, e também para aqueles que pretendem serem empreendedores. 



BIBLIOGRAFIA 



DOLABELA, Fernando. O SEGREDO DE LUÍSA. São Paulo: Picture, 1999. 

BERNHOEFT, Renato. COMO TORNAR-SE EMPREENDEDOR EM QUALQUER IDADE. São Paulo: Nobel, 1997. 

LONGENECKER, Justim G.; MOORE, Carlos W. e PETTY, J. William. ADMINISTRAÇÃO DE PEQUENAS EMPRESAS: Ênfase na gerência empresarial. São Paulo: Makron Books, 1998.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Você e a Corrupção


Muito se fala sobre os escândalos de corrupção no Brasil de Hoje, mas, ninguém falou ainda ao povo, o porquê de estarmos enxergando tanta corrupção. Nestes últimos anos tivemos um verdadeiro desfile de escândalos a nível federal, estadual e municipal. Precisamos encarar a realidade de frente para entendermos o que está acontecendo. Corrupção existe em todos os países do mundo, uns mais outros menos. A diferença para mais ou para menos é determinada pelo índice de visibilidade da corrupção de cada país. Quanto maior o índice de visibilidade menor o volume de corrupção.

Disse o Deputado Onyx Lorenzoni, Sub-Relator da CPMI dos Correios: “A corrupção tira dos brasileiros 100 bilhões por ano, de acordo com estudos da Fundação Getúlio Vargas. Dinheiro suficiente para erguer 1 milhão de escolas públicas ou 2 milhões de casas populares de dois quartos. Poderíamos construir ainda nada menos que 10 mil hospitais públicos de médio porte e também equipá-los.”

No mundo, pelo menos 1,5 trilhão de dólares ou 5% do PIB mundial são desviados por ano, conforme afirmação de especialistas do Banco Mundial, sendo tal valor apenas uma estimativa, podendo chegar a 3 trilhões de dólares anuais.

De 1996 até hoje, o Índice de Percepção de Corrupção (IPC) brasileiro, criado pela Organização Transparência Internacional, passou de 2.96 para 3.7, demonstrando melhora em nossa situação, pois quanto mais perto de 10 é sinal que a corrupção é baixa e que a população assim o percebe. Só para você ter uma idéia da nossa situação, a Transparência Internacional considera índice abaixo de 3 comocorrupção endêmica e a nossa está pouco acima de 3. Vale acrescentar que o índice do vizinho Chile é de 7.2. Você pode ver o índice de todos os países em http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2010/results

Cores mais claras maior visibilidade da corrupção

O que dá visibilidade à corrupção é o controle eficaz do dinheiro público e o que você precisa saber é que estamos caminhando para o crescimento progressivo do nosso índice de visibilidade da corrupção à nível federal, estadual e municipal. É que a Lei de Responsabilidade Fiscal criada em 2000, ainda no Governo Fernando Henrique, obrigou o cumprimento do artigo 74 da Constituição Federal que determina que todos os órgãos públicos criem e mantenham o seu Sistema de Controle Interno, sob pena de enquadramento do gestor em crime de responsabilidade.

Antes, existia apenas o Controle Externo, exercido pelo Legislativo, sobre o Executivo e dos Tribunais de Contas sobre o Executivo, Legislativo e Judiciário. Entretanto, o Legislativo provou ao País que não é capaz de fiscalizar o Executivo. Congresso Nacional, Assembléias Estaduais e Câmaras Municipais, na maioria das vezes, preferem trocar a sua prerrogativa de fiscalização pelas benesses do Poder Executivo. Os Tribunais de Contas não têm pessoal suficiente para uma fiscalização rigorosa e também não está imune à corrupção interna.

Há um ditado popular que diz: “Quem engorda o gado é o olho do dono”. Quem tem que fiscalizar realmente é a dona da Nação, a Sociedade: Povo e imprensa. Veja como.

O Controle Interno de cada órgão é obrigado a enviar aos tribunais de contas, um relatório mensal com informações detalhadas sobre os gastos. Estes relatórios têm que estar à disposição do público para atender ao preceito constitucional da transparência. As Controladorias Internas de cada órgão estão sujeitas às penas da Lei de Responsabilidade Fiscal por responsabilidade solidária e devem ser os olhos do cidadão no órgão em que controla. Este sistema já está dando certo pois muitas das fraudes descobertas, hoje no Brasil, estão assinadas pelo Controle Interno.

Porém, a sociedade precisa aproximar-se mais das controladorias. No seu município procure conhecer a controladoria interna da Prefeitura e da Câmara Municipal. Se não for bem recebido é sinal que alguma coisa está errada. Aí, é só fazer uma denúncia na Promotoria Pública, sempre disposta a mostrar serviço.

Por aí você vê a necessidade de estarmos atentos. Se não podemos fiscalizar o País e o Estado, vamos fiscalizar o nosso município onde o dinheiro é muito mais nosso. As ferramentas para o controle da corrupção estão aí. Cabe a nós, cidadãos, usá-las. É nosso direito e dever. 

Não devemos embarcar nesse mito de que a corrupção é privilégio dos políticos. Ela existe em todos os escalões, até na faxineira que leva o papel higiênico da repartição pra casa. Esse mito de que a sociedade é honesta e o político desonesto não tem o menor cabimento pois, o político não vem de marte, ele vem da sociedade e é, logicamente, tão honesto quanto a sociedade.

A Prefeitura e a Câmara do seu município também estão obrigadas a publicarem suas contas. Você pode acompanhar as contas do seu município em http://www.tmunicipal.org.br/. Corrupção no seu município só vai acontecer se você permitir e, se acontecer, perdoe a franqueza, a culpa também é sua.

Para o cidadão, não basta indignar-se com a corrupção, é preciso contribuir para aumentar a visibilidade da corrupção no seu município e isto pode ser feito através da Câmara Municipal, acionando os mecanismos constitucionais. Vale a pena conhecer a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção: http://www.unodc.org/unodc/en/treaties/CAC/index.html

A "Cara" de Brasília!


Garófalo e Lúcia
Quando lembro Brasília, a primeira figura que me vem à mente é a de Mário Garófalo. A minha percepção do estilo Brasília bate em gênero, numero e grau com o estilo Garófalo. Tanto a cidade como o personagem têm como ponto forte o gosto e a busca pelo refinamento. Na sua Brasília Super FM, a primeira de Brasília, predominava o swing dos anos 30 e a MPB clássica. Até a sua morte em 2004, manteve o estilo clássico de locução. Dava pra sentir o seu prazer quando anunciava Gleen Miler, Tommy Dorsey, Harry James, Artie Shaw, Benny Goodman e companhia. Em Brasília nunca precisei ouvir discos, pois o meu gosto musical coincidia com o que a Super FM tocava. Sua esposa, a Lúcia, dividia o microfone com ele, tinha uma das mais audíveis vozes que já ouvi e desconfio até que tenha sido esse o detalhe que mais pesou na escolha do Garófalo. Com a morte do marido, ela assumiu a emissora e atualizou um pouco o estilo musical.

Garófalo tinha o maior orgulho em apresentar o seu programa "Um Piano ao Cair da Tarde", ao vivo do Conjunto Nacional onde incluía também exibição de dança de salão e, sempre que podia eu estava lá, testemunhando uma fase muito gostosa de Brasília. Foi talvez, o maior incentivador de encontros sociais onde, invariavelmente, incluía as embaixadas.

Foi amigo de Jk, de quem recebeu o convite para morar em Brasília. É autor de um dos feitos mais curiosos do rádio brasileiro ao fazer do Presidente Getúlio garoto propaganda. Em uma entrevista ao vivo, perguntou o que Getúlio achava da iniciativa das Casas Gebara, que patrocinavam seu programa, de baixarem os preços dos produtos que vendiam. Getúlio, que na época fazia campanha pelo barateamento do custo de vida, não teve remédio a não ser dizer que achava a medida "excelente".

Não sei se seria mais apropriado dizer que Garófalo é a cara de Brasília ou se dizer que Brasília é a cara de Garófalo. Este é um recado que achei oportuno deixar para os brasilienses.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Educação para o Desenvolvimento 1


Tenho conversado sobre educação com muitas pessoas da área de gestão da educação na Bahia, em São Paulo, em Brasília e percebi que elas têm pensamentos muito parecidos e que os equívocos que se comete aqui na Bahia são os mesmos que são cometidos nos outros estados. Isto quer dizer que a matriz do ensino da educação que é a universidade, está equivocada. Os equívocos são tão grosseiros que às vezes questionava a mim mesmo se não eram os meus conceitos que estavam errados. Cheguei até pensar que estava sendo muito presunçoso em achar que só eu estava certo e todos eles estavam errados. Uma notícia em 2007 trouxe a resposta: A educação no Brasil é uma das piores do mundo. Eu estava certo e eles todos estavam errados. Difícil de acontecer, mas aconteceu.

Com isso, sinto-me no direito e no dever de espalhar meus conceitos aos quatro cantos e todos estes formuladores de política educacional no dever de me ouvir e concordar. Afinal, nada mais resta à turma que construiu um fracasso de tamanhas proporções, que pedir o boné e sair de fininho pra não correr o risco de tomar cascudo. Não estou me referindo aos nossos professores, pois também são vítimas. Estou me referindo aos formuladores da política educacional do governo federal. O Ministério da Educação deu ao mundo, um atestado de incompetência monumental. Contra fatos não há argumentos. 

Para a situação não ficar muito vergonhosa, ainda vou quebrar o galho de vocês dizendo que o erro está na informação que vocês receberam na universidade. Aliás, a universidade não pode recusar a culpa porque todos sabem que diploma de universidade brasileira é recusado até em Portugal. O leitor lembra a guerra para que os dentistas brasileiros fossem autorizados a trabalhar em Portugal. Nossa universidade hoje abriga muitos contestadores do incontestável que insistem em negar o óbvio.

Felizmente, o conhecimento que adquiri sobre educação não foi na universidade, mas sim na livraria, pois sou autodidata, e por isso mesmo não adquiri este vírus que levou nossa educação a tal fracasso. Assim, vou relacionar alguns erros conceituais cometidos hoje, para que vocês corrijam. Hoje vou abordar a disciplina.

 1. Não se delega responsabilidade sem a respectiva autoridade

Tiraram totalmente a autoridade do professor que o coitado tem que rezar antes de entrar na sala de aula para não apanhar dos alunos. A autoridade é um dos mais importantes fundamentos da administração moderna e foi jogado no lixo. A administração científica acumulou tão importante conhecimento e vocês acharam que não valia nada. Meu Deus, foi a administração moderna que construiu tudo que está aí e vocês dispensam esse conhecimento!

O professor tinha autoridade até 1963, quando foi aprovada a primeira Lei de Diretrizes e Bases, no Brasil. Eu estudei nesse período e os meus contemporâneos são testemunhas que saíamos do primário com mais conhecimentos que os formandos do segundo grau de hoje. Tomei muito bolo em sabatinas e não gostava nada daquilo. Mas aprendi. Nossos professores não eram simples professores, eram mestres. Transmitiam informação e atuavam na formação do aluno. Eram mestres ao estilo de Sócrates e Platão. Muitos excessos disciplinares eram cometidos, é verdade. Fiquei algumas vezes ajoelhado em grãos de milho. Realmente aconteciam crueldades.

Mas, ao invés de se aprimorar o sistema existente, fizeram uma LDB partindo para o extremo oposto e, além de eliminar os castigos tiraram quase toda a autoridade do professor. Daí pra cá, foram tirando mais e mais e mais até que, por último veio o Código da Criança e do Adolescente, que além de tirar a autoridade restante, dando total imunidade ao educando, traz pesadas penas para o professor que se atrever a disciplinar o aluno. Inversão total da ordem. Acharam que a aquela inscrição da Bandeira do Brasil “Ordem e Progresso” era de brincadeirinha. Perguntem a um militar como seria o exército sem disciplina.

2. Dá a Cezar o que é de Cezar

Hoje, a Escola pública não pode suspender nem expulsar o aluno, sob o argumento de que não se deve atrasar a vida do jovem, ele aprende mais tarde. Mau comportamento também não é mais motivo para expulsão, pois a escola deve mudar o marginal. Mas o meu filho tem que conviver com os marginais, aprender a consumir drogas e presenciar outras degenerescências. Ora, ora, o aluno interessado em aprender é que deve ser tratado com luvas de pelica, mas marginal tem que ser tratado como marginal, no reformatório.

O resultado de forçarem a convivência das crianças do bem com as do mal está aí no noticiário diário da imprensa. Além do fracasso no produto final da educação, conseguiram criar um tremendo efeito multiplicador da marginalidade. A escola pública transformou-se num centro de irradiação da marginalidade por contaminação da convivência. Em outras palavras, ao invés de se preservar o bem, separando o joio do trigo, misturaram o joio com o trigo, contaminando o trigo e agora está muito difícil de separar. É correta essa política?

Conseguiram reduzir o professor de mestre para um simples transmissor de informação. Bom, se o papel do professor ficar só na transmissão da informação, pode ser substituído, com vantagem, pela mídia eletrônica que é mais barata e muito mais eficaz. Parem com essa baboseira e não chamem isso de educação para não irritar Sócrates em sua tumba. Deixem o homem descansar em paz. Tenham a humildade de consultar o dicionário para reaprenderem o significado da palavra educação. Vou quebrar o galho de vocês novamente e mostrar a consulta mastigadinha:  Educação: Desenvolvimento das faculdades físicas, morais e intelectuais do ser humano. Está no dicionário. Vocês acham que é isso mesmo que vocês estão fazendo?

MEC hoje, pra mim, é feijão perdido. A Nação precisa discutir a nossa educação e estabelecer objetivos e estratégias mais racionais e dentro da realidade e necessidade do País. Este modelo não serve ao presente nem ao futuro dos brasileiros.

Bom, por hoje é só. A quantidade de equívocos na nossa “educação” é muito grande e vou precisar de muitas matérias para comentá-los.

Território Livre de Princesa


Coronel José Pereira
Apesar do brasileiro não ligar muito para o seu passado, vou contar aqui a curiosa história do Território Livre de Princesa, pois acho que ela mostra o poder dos coronéis, na República Velha (1889-1930). É sabido que a hierarquia de poder da época era: Presidente - Governadores - Coronéis. Prefeitos eram subordinados, quando não era o próprio coronel.

Paraíba, 1930. Na cidade de Princesa Isabel, o coronel José Pereira, que chegou a ser amigo de Lampião, mandava e desmandava. O presidente do estado da Paraíba era João Pessoa. Ao apresentar a chapa para deputados federais em Princesa, João Pessoa deixou de fora o coronel Zé Pereira, que era deputado estadual, seus amigos e correligionários, inclusive o ex-governador João Suassuana, pai do hoje famoso escritor Ariano Suassuna. Tal ofensa, fez o coronel José Pereira romper com João Pessoa, que era candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas e, declarou apoio aos seus adversários no plano nacional. Pessoa então destituiu o prefeito, o vice-prefeito e o promotor de Princesa que eram ligados ao coronel e mandou tropas da polícia militar para Teixeira, cidade vizinha, para acabar com a rebelião. 

José Pereira e seu exército
O coronel Pereira, mandou a Teixeira, 120 bem armados para retomar a cidade que fazia parte do seu curral eleitoral. Esta batalha aconteceu em fevereiro de 1930 e a vitória foi do coronel. Em maio, Pessoa faz nova investida enviando 220 soldados e jagunços para atacar Princesa. Os homens do coronel armam uma emboscada onde morrem mais de 100 pessoas.


Tanque de guerra do coronel construído em Campina Grande
Animado com as vitórias, o coronel proclama o Território Livre de Princesa, desligado da Paraíba, mas subordinado ao governo federal, com bandeira, hino, exército e leis próprias. Como dominar Princesa estava muito difícil, João Pessoa manda um avião lançar panfletos sobre a cidade, ameaçando um bombardeio aéreo, caso a população, fechada com o coronel, não depusesse as armas. A cidade ainda não tinha visto um avião, apesar disso, balas não faltaram tentando derrubá-lo. Um dos jagunços chegou a dizer: "derrubar não derrubamos, mas caiu pena do rabo pra todo lado". Eram os panfletos amarrados a pedras. Além de não se intimidar o coronel aumenta a sua tropa, para 1.200 homens e começa a ampliar as fronteiras de Princesa.  

Nesse meio tempo, João Dantas, advogado, rico, mulherengo e amigo do coronel, vinha sofrendo humilhações por parte de Pessoa, culminando com a apreensão das cartas de suas inúmeras namoradas, que foram coladas em muitas paredes da Paraíba. Era uma rusga pessoal entre ele e Pessoa, a quem jurou vingança publicamente. Cumpriu a sua jura em 26.06.1930, numa confeitaria de Recife. Este episódio mudaria completamente o rumo do Território Livre de Princesa e pasmem, da história do Brasil.

Morto João Pessoa, Pereira que não tinha nada com isso, declarou Princesa novamente município paraibano. Entretanto, A Aliança Liberal de Getúlio que havia perdido a eleição, usou o episódio para acusar o Washington Luís e seu candidato eleito, Júlio Prestes, de mandantes. O corpo de João Pessoa foi levado ao Rio numa viagem de 10 dias e mostrado nas cidades do caminho como um crime político. Funcionou, houve comoção nacional.

Com isso, Getúlio, encarnando o papel de vítima, sai do Rio Grande do Sul com enorme tropa, amarra seu cavalo na avenida Central, na capital federal, e assume o poder, já recuperado pelos militares dias antes. Sem apoio do governo federal e indiretamente implicado no assassinato de João Pessoa, Pereira e seus amigos mais chegados tiveram que fugir. 


Assim termina a história do território Livre de Princesa, deixando muitas outras estórias paralelas, como a que Luiz Gonzaga conta na música Xanduzinha, que você pode ver no vídeo abaixo. Marcolino, amissíssimo de Lapião, era irmão da esposa de José Pereira e protaginizou uma bela história de amor sertaneja com Xanduzinha. José Pereira também foi cantado na música "Paraíba", de Luiz Gonzaga.



Entregando a Galinha para a Raposa guardar 2


Vimos na matéria anterior que a Sociedade está entregando a galinha para a raposa guardar, adotando o atual Sistema Político que delega ao Estado (empregado da Sociedade), decidir como deve ser a Sociedade (dona da Nação). É a raposa dizendo onde e como guardar a galinha. Nesta segunda matéria vamos falar da Raposa e porque temos tantas raposas no poder.

A corrupção é um dos crimes mais infames, pois é cometido por pessoas que ganham da Sociedade para zelar pelos interesses da própria sociedade. Nele está contido um outro crime imperdoável: a traição.

Muito tem se falado sobre impeachment, cassação, reforma política e outros remendos para coibir a corrupção. Entretanto, todas estas sugestões, são paliativas que não vão resolver o problema, pois, com a liberdade que tem, a raposa jamais vai virar cão de guarda.

Podemos também minimizar o apetite da raposa, encarando, de frente, o problema, e desmistificando uma crença que não faz o menor sentido. Muito se diz que o político é corrupto e a sociedade é honesta. Aí eu pergunto: e o político vem de onde, de Marte? Não, o político vem da Sociedade. Se o político é corrupto é porque a Sociedade é corruptível. Então, seria impossível mudar o comportamento do político sem mudar o comportamento da Sociedade. Esta é uma verdade dura e que ninguém tem a coragem de dizer, mas é a lógica.

Obviamente, para que tenhamos políticos honestos é necessário que as forças do bem, façam um enorme esforço para educar as forças do mal. Em toda Sociedade estão presentes o bem e o mal, uma vez que esta dualidade também está presente em cada um de nós. Dizer que todos os políticos são desonestos não tem a menor lógica. Eu conheço inúmeros políticos de caráter firme. Vale observar que ninguém nota os atos de honestidade dos políticos, mas um ato desonesto vira manchete nacional. O mal é mais festejado que o bem, não só na classe política, mas em todos os segmentos da Sociedade.

A psicologia tradicional divide a personalidade 3 componentes: Ego, Id e Superego. Simplificando, podemos dizer que o Id é o compartimento onde estão nossos desejos e instintos, e são os desejos e instintos que produzem o crime. Aí está, por exemplo, o desejo de violentar uma criança ou o desejo cleptomaníaco de subtrair um objeto de outrem. São desejos do mal. Mas, estão também os sentimentos bons como a generosidade, o amor, etc. É isso que comprova a afirmação que temos o bem e o mal dentro de nós. Tanto o homem como os animais possuem o id. Estes desejos e sentimentos poderão ou não ser externados e isto vai depender de um outro componente chamado superego. O superego é o nosso componente fiscalizador. Nele arquivamos as regras que a educação nos impõe. Estão também os conceitos, os preconceitos e todo o discernimento intelectual que nos diferencia dos animais. O terceiro componente é o ego que representa a personalidade em ação. Todas as decisões que tomamos são motivadas pelo id (desejo) e permitidas pelo superego. Quando o superego é muito tolerante (caráter fraco) o indivíduo permite-se à mentira, à corrupção, ao roubo, etc.

O papel da educação é exatamente formatar um superego sensato e capaz de não permitir que desejos prejudiciais ao próprio indivíduo ou à Sociedade cheguem ao ego (ação). Observe que entramos na origem do problema da corrupção e do crime como um todo. Tudo começa na eterna luta entre o bem e o mal.

O grande problema de todos os indivíduos e de toda sociedade é identificar com clareza onde termina o bem e começa o mal. Há males pequenos e males maiores. Tanto o bem como o mal tem uma graduação progressiva.


No nosso gráfico, o bem está representado pela cor verde e o mal pela cor vermelha. Se perguntássemos onde exatamente começa o vermelho, teríamos enorme dificuldade de responder.


Se dividirmos a área do gráfico em três partes iguais, vai sobrar a área central onde o bem e o mal estão muito misturados e difíceis de serem separados. Hoje, a maioria das pessoas trafega nesta área de alguns pequenos atos do bem e pequenos males. Esta é uma área muito escorregadia que acaba surpreendendo o próprio transeunte.

Numa enquete feita por uma rede de televisão, nas ruas, a maioria das pessoas confessou que usa do expediente de pequenas mentiras o que mostra o quanto é comum o tráfego nesta área de transição. Segundo a imprensa, um jatinho presidencial levou amiguinhos do filho do Presidente para passar o fim de semana em Brasília. Um pequeno mal, praticado com a maior naturalidade pelo Presidente. Tanta naturalidade que, certamente, nem passou pela cabeça dos garotos que eles estavam pisando no território do mau. Se para o Presidente, responsável maior pela Sociedade no atual Sistema Político, este foi um gesto banal, porque não o seria para o Governador, para o Prefeito para o Deputado e para o próprio povo?

Já deu para perceber que não estamos lidando com um probleminho qualquer. Este é um problemaço que nos leva a refletir sobre a razão da existência. Porque temos o bem e o mal dentro de nós? Isto a ciência não explica, e o que a ciência não explica temos que recorrer à filosofia. Das teorias filosóficas que explicam a razão da existência da dualidade do bem e mal dentro de nós, a mais lógica é a que admite que existimos para evoluirmos como ser eterno. A vida é uma escola e os professores são exatamente o bem e o mal que trazemos dentro de nós. O atrito dos pólos opostos leva ao equilíbrio.

É fácil observar que temos três formas de aprender: a primeira pelo amor, a segunda pela razão e a terceira pela dor (pelo mal). O mal é uma instituição bumerangue, ou seja, quando cometemos um mal ele fatalmente se volta contra nós mesmos. Como a maioria das pessoas só aprende pela dor, podemos concluir que o mal é o principal professor do bem. Então, o mal é um acelerador da aprendizagem para o bem. Quando atribuímos o mal a Satanás estamos buscando um bode espiatório por medo de reconhecer que ele está mais perto de nós do que queremos imaginar. Se o mal é uma ferramenta para levar ao bem, na realidade, ele é também um bem. Admitindo isso, fica mais fácil lidar com o problema. O id (desejos e instintos) está dentro de nós queiramos ou não e é resultado da composição química do nosso organismo. Está impresso em nosso código genético. Citando um exemplo, podemos afirmar que a principal razão que leva uma mulher a ser prostituta é um nível alto de produção de hormônios que provoca um desejo mais intenso para o sexo. Se ela tem um superego fraco, fatalmente, vai prostituir-se. Assim acontece com os demais desejos.

Chegamos ao cerne da questão. Para que o mal que temos dentro de nós, não chegue ao nosso ego (ação), é necessário educar e fortalecer o superego. Mas, quem é o responsável por essa tarefa? Obviamente, as instituições sociais básicas: a família, a escola, o estado a religião e a imprensa. Se o caráter da sociedade (o superego) está fraco, a conclusão lógica é que estas instituições estão fracassando nos seus objetivos, provando a necessidade de reforma do modelo das instituições.

Como seria muito trabalhoso rediscutir as instituições a saída mais cômoda é por a culpa nos políticos. A culpa dos políticos é muito mais por não adotarem políticas para mudar as causas, que pela própria conseqüência que são a corrupção e os desmandos. Mas, a culpa não é só dos políticos. A Sociedade tem a sua parcela de culpa por omissão na busca de soluções reais.

Todos sabem quais são os principais erros da nossa Sociedade. Posso citar os mais visíveis. na família: a permissividade; na escola a sociedade cortou a autoridade do professor que deixou de ser um agente de formação para ser um mero transmissor de informação; no Estado o mau exemplo dos políticos e a impunidade e vagarosidade da justiça; na religião o comércio e a negação da lógica, e na imprensa a leviandade e a superficialidade. Se, pelo menos, minimizássemos estes problemas teríamos uma Sociedade bem diferente.

No fundo, está faltando sinalização clara naquela área de transição entre o bem e o mal. Veja o gráfico abaixo.


O mal tem que ser melhor sinalizado, pois vimos que ele é um instrumento de aprendizagem do bem. Mas, não basta apenas sinalizar o mal, é preciso sinalizar o bem para fazermos dele um instrumento de aprendizagem mais importante que o mal. Se houvesse essa sinalização as pessoas estariam aprendendo mais pelo amor e pela razão que pela dor. Quando um indivíduo recebe um aplauso por ser honesto fica difícil dele voltar atrás e é assim que funciona. Entretanto, a Sociedade hoje, especializou-se em apontar os erros de forma pouco didática e não tem meios para punir exemplarmente os infratores.

Veja a conseqüência natural quando dizemos que todo político é desonesto: já que os honestos, invariavelmente são rotulados de desonestos que motivação teriam os eles para continuar sendo honestos? Nenhuma. É importante também que admitamos uma verdade que salta aos olhos. São poucos os vereadores que se elegem em nossos municípios sem comprarem o voto com dinheiro ou favores. A maioria dos eleitores vota em quem lhe deu as telhas para terminar sua casa ou em quem arranjou um emprego para a filha, etc. Isto quer dizer que a maioria dos votos está à venda, ganha quem der mais. O vereador vai ser o futuro deputado, senador e presidente. Se ele teve que comprar o voto do eleitor para se eleger, porque não comprar voto o deputado? Que diferença faz? Se não corrigirmos a Sociedade, nunca teremos o País dos nossos sonhos.

Devo deixar claro que tudo isso, apenas explica onde começaram os crimes que vemos hoje no governo, mas não isenta a culpa dos criminosos nem sequer abranda a necessidade de punição exemplar. Tivemos na política verdadeiros ícones, que deveriam ser reconhecidos como tal, no seu tempo. Como podemos deixar de reverenciar Franco Montoro, Mário Covas, Juscelino Kubtschek ou Tancredo Neves?

Com esta matéria estou fazendo a minha parte. Se você concorda com o raciocínio exposto o que está esperando para fazer a sua parte, já?